ÍNDIA E SUAS FACETAS

por Diego Cerqueira Rodrigues

Agora em janeiro faz 4 anos da minha última viagem à Índia. Assim, movido pela saudade e pelo amor a esta terra incrível, farei algumas postagens com lembranças, curiosidades e reflexões das peculiaridades que compõe este intrigante e fascinante pais.

Parte 1: O TAL PAÍS DE CONTRASTES

Você já deve ter ouvido o jargão: “a Índia é um pais de contrastes”. Ok, de fato é! Mas até aí nada muito diferente do Brasil, pois basta ampliar um pouco mais o olhar para além de nossas bolhas sociais e geográficas para encontrar os tais contrastes por aqui também.

Sendo assim, o que faz com que essa expressão seja tão utilizada para descrever a Índia?

Vejo duas possibilidades principais:

  1. Inicialmente acredito que seja uma tentativa simplista e superficial de descrever em palavras a complexidade e profundidade que é a Índia.  

  2. A Índia é escancaradamente autêntica e intensa. Estar em suas terras é um exercício constante de equilíbrio entre polaridades que podem mexer significativamente com os sentidos.

Mas para compreender efetivamente os tais contrastes é importante investigá-los um pouco mais profundamente sob diferentes pontos de vista:

 

Do ponto de vista geográfico:

Ao norte está o topo do mundo - as gélidas cordilheiras dos Himalaias a mais 8500m de altitude – Boa parte do sul está ao nível do mar com suas praias tropicais e temperaturas acima dos 40°. De leste a oeste as paisagens podem variar entre desertos e florestas.

Do ponto de vista econômico:

A Índia é a sétima maior economia do mundo com um PIB de 2,09 trilhões  (a frente do Brasil). O principal responsável pelo crescimento econômico na Índia é o setor de serviços, embora seja o setor agrícola o responsável por 3 em cada 5 empregos no país. Porém, outros setores como tecnologia e indústria cinematográfica têm chamado a atenção por conta do seu rápido crescimento e desenvolvimento. Ao mesmo tempo, 37% da população está abaixo da linha da pobreza e num pais populoso como a Índia isso representa 447 milhões de pessoas (duas vezes a população do Brasil).

Do ponto de vista social:

A Índia é um dos grandes berços da humanidade, civilizações com um grande grau de desenvolvimento espiritual e comunitário e responsáveis por importantes avanços científico-tecnológicos nasceram em seu território. Ao mesmo tempo, através de um olhar contemporâneo, fica evidente que a desigualdade social é um dos grandes problemas da Índia capitalista do século XXI. O sistema de castas¹, mesmo que tecnicamente extinguido em 1947, mantém marcas arraigadas e significativas na sociedade indiana, o que gera preconceito, violência e diversas injustiças sociais. Mesmo com o abismo profundo entre os mais ricos e mais pobres que marca a sociedade indiana, é importante lembrar que a estratificação social vem gradualmente perdendo força nos últimos anos, prova disso é que nas eleições presidenciais de 2017 o vencedor foi Ram Nath Kovind, pertencente à casta mais baixa da Índia (Dalit) conhecidos como intocáveis e que geralmente ficam à margem da sociedade. Apesar da figura do presidente ter um caráter protocolar, já que o poder real fica com o primeiro ministro, este é um avanço bastante significativo.

Do ponto de vista religioso:

Temos os seguintes números com relação às principais religiões da Índia:

Hinduismo – 79,8% ; Islã – 14,2% ; Cristianismo – 2,3% ; Sikhismo

Budismo – 0,7% ; Jainismo – 0,4% ; Outras (ou nenhuma) – 0,9%

Perceba que nem todo indiano é hindu, apesar de comporem uma porção considerável da população (quase 80%). Outro fato curioso é que na terra do Budha existem mais cristãos do que budistas. Independente de porcentagens, o fato é que a religiosidade está presente de forma muito marcante na atmosfera da Índia. E quando esta característica vem acompanhada de uma espiritualidade autêntica a fé do povo se torna quase palpável, tornando-se fonte de inúmeros milagres. Agora, quando a mesma religião é acompanhada de fanatismo cego, ocorrem as mais diversas atrocidades e injustiças.

Toda essa miscelânea de polaridades gerou um país e uma nação culturalmente fascinante que exala simultaneamente ancestralidade e modernidade. E por todas essas características é comum que a experiência dos visitantes na Índia seja marcada por uma relação de amor e/ou ódio, mas jamais de indiferença. E talvez seja esse um dos motivos que tornam este país tão apaixonante e intrigante.

 

Aguarde os próximos artigos desta série:

- Índia: a riqueza e a pobreza de seu povo

- Índia: uma explosão para os cinco sentidos

- Índia Sagrada – Índia Profana

- Índia: o berço do Yoga

 

¹ Castas: simplificadamente o sistema de castas indiano apresenta a seguinte estrutura:

Brāhmaṇasacerdotes;

Kṣatriya: militares e os governantes;

Vaiśya: comerciantes e os agricultores (proprietários de terras);

Śūdra: servos, artesãosoperários e camponeses.

Há ainda uma quinta classe conhecida como os intocáveis (não utilizarei aqui um termo específico para designar esta casta, porém, é comum a utilização dos termos paria, dalit ou chandala), que ficaram relegados à margem da sociedade.

 

Selecionei  algumas das fotos que tirei em minhas viagens e que retratam um pouco dos contrastes da Índia (será que são tão diferentes dos nossos aqui no Brasil?):

Agra

Visão de dentro dos jardins do Taj Mahal 

Visão de fora dos muros e jardins do Taj Mahal

Amritsar

Visão de dentro do complexo onde se localiza o Templo Dourado

Enquanto isso do lado de fora: rua bem próxima ao Templo Dourado 

Mumbai 
Mahatma Gandhi Road - Uma avenida pulsante e repleta de construções imponentes

No caminho para Ilha de Elephanta - Vista do Gateway of India e do famoso Hotel Taj Mahal Palace & Tower

Mumbai assim como a grande maioria das cidades grandes de países ditos subdesenvolvidos apresenta inúmeras vielas e favelas

Essa última foto é um brinde surpresa, adivinhem onde é ?

São Paulo - SP

(só para lembrarmos que não é necessário atravessar o oceano para se deparar e se  chocar com contrastes)

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