O Esteriótipo do Yogi

por Diego Cerqueira Rodrigues

 

Recentemente, durante uma conversa, um dos meus alunos se mostrou surpreso com algumas reflexões e atitudes sociopolíticas que demonstrei... me parabenizou dizendo que não esperava esse tipo de consciência de uma pessoa que parecia tão “Zen” (seja lá o que for que ele entenda por zen)...


Mesmo sem saber muito bem que tipo de elogio foi aquele, agradeci com um sorriso meio sem jeito.
Porém, fiquei me perguntando se as pessoas ainda têm a imagem do professor/praticante de yoga como aquele ser passivo, de fala mansa e cara de paisagem...


Em nossa sociedade, que muitas vezes se apresenta com base em aparências e hipocrisia, não é de se estranhar que, infelizmente, o Yoga adquira esta marca de pseudo-espiritualidade, na qual as pessoas competem pelo título do mais superficialmente evoluído. Será este o estereótipo do Yogi? Será que o verdadeiro praticante de Yoga busca a realização através de uma determinada forma de se vestir, ou de falar, ou enfim, de um tipo específico de comportamento externo?
Será que esta tradição milenar teria sobrevivido mais de 5000 anos se assim fosse?


Ora, se um dos propósitos do Yoga consiste em cultivar uma mente estável e lúcida (livre de ilusões), refletindo em um estado pleno de presença repleto de ações conscientes, autênticas e livres de condicionamentos, nada mais incoerente do que o indivíduo que busca insuflar o ego se agarrando a esses rótulos da “nova era” que irão aprisioná-lo a um personagem falso e limitado.


O sábio Patanjali, um dos maiores personagens da história do Yoga, escreveu em sua obra (Yoga Sutras) o seguinte:

Tadā draṣtuh svraūpe 'vasthānam 

Então (no estado de Yoga), o sujeito se estabelece em sua verdadeira natureza.

 

Ou seja, ao aquietar as atividades mentais, dissolvendo a ignorância sobre si mesmo, o indivíduo passa a se expressar a partir de sua natureza primordial. Ao atingir este elevado estado de consciência, o Yogi torna-se um observador equânime de sua realidade. Assim, com a mente lúcida e o coração compassivo o praticante conquista a liberdade para ser, de forma autêntica,  quem realmente ele É.

Desta maneira, é possível uma vida de Yoga.

 

E para desconstruir a ideia de passividade e superficialidade associada ao  Yoga, lembrem-se que Gandhi influenciou diretamente na independência da Índia e, a meu ver, a luta não violenta dele foi repleta de simplicidade, engajamento e acima de tudo: Yoga.

 

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