A postura da árvore (vṛkṣāsana)  वृक्षासन

por Diego Cerqueira Rodrigues

Hoje vamos nos aprofundar em uma das posturas mais emblemáticas do Hatha Yoga: vṛkṣāsana – a postura da árvore (pronuncia-se vri ki shá ssa na).

Trata-se de um asana muito antigo que aparece em um dos principais tratados do Hatha Yoga: Gheranda Samhita (sec. XVII) e que é assim descrito:

“Colocar o pé direito na raiz da coxa esquerda e ficar como uma árvore na terra é vṛkṣāsana” (G.S. II-36)

Perceba que se trata de uma descrição bem concisa, na qual nada é dito sobre a posição dos brações e mãos, por exemplo. Assim, o propósito deste texto é explorar mais afundo esta postura a partir de 3 perspectivas:

  1. Aspectos físicos / técnicos

  2. Aspectos sutis

  3. Efeitos (benefícios e contraindicações)

 

1. Execução da postura:

- Em uma superfície regular e firme posicione os dois pés em uma distância equivalente a largura do quadril; Joelhos estendidos, ou com uma suave (quase imperceptível) flexão; Quadril encaixado (sem projetá-lo para frente, para os lados, ou para trás); Coluna ereta; Cabeça no prolongamento da coluna (queixo paralelo ao chão e topo da cabeça em direção ao céu), Ombros soltos (distantes das orelhas), Braços relaxados aos lado do tronco; Permanecer alguns segundos nesta postura observando a estabilidade, o conforto e o contato firme dos pés com o solo (tadāsana).

- Transfira o peso do corpo para o pé esquerdo e sinta-o bem apoiado e enraizado no chão; Fixando o olhar em um ponto imóvel, tire gradualmente o pé direito do chão e acomode a sua sola na região interna da coxa, ou se preferir na panturrilha (cuidado para não apoiar na região interna do joelho, isso pode trazer uma sobrecarga nesta articulação);

- Usualmente une-se as palmas das mãos em frente ao peito, ou acima da cabeça; Lembre-se que o toque entre as mãos deve ser suave para contribuir com o relaxamento dos braços e ombros;

 

2. Aspectos sutis:

- Traga a simbologia da árvore - uma base bem enraizada, firme e estável e a partir desta base uma certa maleabilidade para lidar com as pequenas oscilações do corpo;

- Por se tratar de uma postura de equilíbrio (conexão com a terra), potencializa qualidades referentes ao nosso centro de força raiz: mūlādhāra chakra. (força, saúde física, estabilidade, segurança);

 

3. Efeitos (benefícios e contraindicações)

- Fortalece a musculatura dos membros inferiores;

- Desenvolve a propriocepção (consciência corporal e noção espacial);

- Incrementa a capacidade de foco e concentração;

- O equilíbrio corporal gradualmente se reflete em equilíbrio mental e emocional;

- Deve-se evitar realizar esta postura em caso de restrições osteoarticulares nos membros inferiores e/ou quadril; labirintite e/ou outros distúrbios que transmitam tonturas e falta de percepção espacial;

- Gestantes podem realizar esta postura, porém, com atenção redobrada por dois motivos: 1- a presença de um “serumaninho” no ventre exige toda uma reorganização corporal que pode ser tranquilo para algumas gestantes e para outras nem tanto; 2- Na gestação existe um aumento de um hormônio chamado relaxina que, entre outras coisas, tem efeito sobre as articulações e ligamentos, tornando-os mais maleáveis, o que pode gerar uma certa instabilidade articular e aumentar o risco torções, luxações e quedas;

 

Como podemos ver a postura da arvore tem muito a nos ensinar, principalmente se a desempenhamos com estabilidade, conforto e PRESENÇA.

 

Boas práticas!

 

Obs: Este breve artigo não substitui a presença de um professor experiente na sistematização de sua prática pessoal.  

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